Nota de repúdio ao caso de machismo na UNIFESP

Machismo: consiste num determinado conjunto de atitudes e ideias que coloca o sexo masculino em um patamar elevado na sociedade, subjugando o sexo feminino e não admitindo a igualdade – e equidade – de direitos para o homem e a mulher.

O machismo tem sua origem no patriarcado, seu aprofundamento na sociedade capitalista, tendo um caráter de classe, mas não tendo nacionalidade. Não sabemos o marco certo da origem do machismo na nossa sociedade, até porque o papel da mulher na mesma, desde a pré história, era bastante valorizado, não havendo distinção hierárquica nas atividades que eram realizadas, mas há apontamentos de que tenha surgido no inicio da propriedade privada, da separação entre capital e da exploração do homem pelo homem para legitimar a posse de mulheres e crianças, sendo assim, cabia a ele ordenar a vida dos mesmos.
Ali foi negado à mulher o direito de estar em espaços públicos e delegado apenas os serviços domésticos, a organização da família burguesa, legitimando o homem como máxima autoridade e impondo às relações pessoais ideias que justificam a manutenção do seu status quo, sendo o outro nada mais que mero objeto de sua propriedade. O patriarcado vem para estimular desigualdades e hierarquizar as relações pessoais homem-mulher.
Isso está presente nos dias de hoje e tem se tornado gritante os casos de machismo, nos quais a justificativa de posse sobre a mulher e a culpabilização das mesmas, naturalizam o machismo. A sociedade reduz o papel da mulher a donas de casa, mães de família, esposas, namoradas, filhas e sempre à disposição de “seus homens”, o que foge disso nos caracteriza como putas, vadias, sem-vergonha, pois o que nos cabe nesta sociedade são apenas os serviços do lar e o silêncio frente as violências sofridas diariamente. Somos educadas para calar frente às nossas desigualdades, não temos direito sobre nossos corpos, cargos de trabalho, ir e vir. Educamos mulheres a se “comportarem” a se vestirem de forma não “provocante” chegando ao ponto de criarmos vagões especias para as mesmas. Não pensando em nenhum momento o papel do homem nisso tudo, não educamos homens para respeitarem, para não estuprar e culpabilizamos as mulheres.
A cada 5 minutos uma mulher é espancada no mundo, não há Lei Maria da Penha que proteja os assassinatos de tantas mulheres, a violência psicológica e verbal que somos submetidas dentro de nossas casas, nas ruas e em nossos ambientes de trabalho.
Recentemente, soubemos de um caso de machismo que ocorreu na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), quando a foto de uma menina foi parar em um grupo de uma rede social dos alunos de medicina da universidade. Segundo relatos “a menina estava em uma festa com um blazer amarelo e uma calça branca legging. Uma menina “X” pediu pra tirar uma foto do blazer dela porque ela achou lindo e queria copiar. A menina permitiu que a foto fosse tirada, na foto aparece ela, o blazer amarelo, a legging branca e está marcando a calcinha”. No grupo, os estudantes comentam coisas como “piranha”, “putinha”, e etc., somente porque a menina está com uma legging branca que marca a calcinha.

Diariamente somos chamadas de “piranha”, “putinha”, “piriguete” entre outras coisas, por causa das roupas que usamos. Mas qual é, afinal, o problema em usar roupas justas, curtas, que deixem a barriga ou as pernas à mostra?! O problema é que as mulheres estão se permitindo, se empoderando, se sentindo livres e que direitos têm essas mulheres para estarem se achando livres né?! Enquanto vivermos nessa sociedade machista e não lutarmos ferrenhamente para acabar com patriarcado, nós mulheres teremos os direitos negados, inclusive o de vestirmos a roupa que bem entendermos. Enquanto não pararmos de culpabilizar as vítimas, não estaremos respeitando os direitos das mulheres. O machismo mata, diariamente, milhares de mulheres no mundo inteiro e atitudes como esta, reforçam a violência contra a mulher.
Por este motivo, nós, da Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem (ENEEnf), viemos através desta nota, repudiar toda e qualquer atitude machista, desrespeitosa com o corpo da mulher e que culpabiliza a vítima, pois entendemos que as mulheres são sujeitas de si mesmas e merecem respeito, independente de cor, classe social, religião, orientação sexual, etc.

MACHISTAS NÃO PASSARÃO!

UNIFESP MACHISMO

Por uma sociedade equânime!

DAEE-UFRGS / ENEENF

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